Apresentação
Breve resenha do livro Os Móveis Continuam Prisioneiros, do editor e poeta Jeferson Barbosa, publicado em 2022, pela editora Mondru.
A obra Os móveis continuam prisioneiros é, no geral, coesa, temática, carregada de um lirismo que anuncia expectativas e que, no decorrer da leitura, cada poema fecha-se em si, como micro narrativas dramáticas, sempre matizadas pela melancolia e, às vezes, pelo pessimismo, mas um pessimismo que se revela como impotência de não poder mudar o passado, daí revisita-lo, movido por uma saudade às vezes madura, às vezes mal resolvida e cheia de feridas abertas, torna-se uma experiência dolorosa.
Da Mobília Drummondiana à uma Poética da Ausência
Publicado em 2022, pela editora Mondru. Com uma arte gráfica riquíssima, em que foram usadas ilustrações e imagens retiradas de jornais impressos do século 18 e 19, de autoria desconhecida, mas de domínio público. Já de cara temos uma bela apresentação da capa e do projeto gráfico, também de autoria do Jeferson Barbosa, do seu segundo livro de poemas – Os Móveis Continuam Prisioneiros.
Fica fácil perceber que a arte gráfica que compõe o livro denuncia o seu conteúdo e ajuda a dar o tom, harmonizando texto e imagem com precisão e delicadeza.
Jeferson Barbosa é goiano. É idealizador e trabalha como editor chefe da Mondru, além de Designer editorial. Formado em engenharia civil e mestre em geotecnia pela universidade federal de Goiás, ele abandonou a área para se dedicar ao projeto editorial da Mondru, pela sua paixão pela literatura e, em especial, pela poesia. Também está à frente do canal literário, no Youtube, Em Diálogo.
Jeferson Também publicou A fútil arte de travestir-me do que me falta, também pela editora Mondru, além de poemas publicados na Revista Philos, Desordem e 7faces.
A obra Os móveis continuam prisioneiros é, no geral, coesa, temática, carregada de um lirismo que anuncia expectativas e que, no decorrer da leitura, cada poema fecha-se em si, como micro narrativas dramáticas, sempre matizadas pela melancolia e, às vezes, pelo pessimismo, mas um pessimismo que se revela como impotência de não poder mudar o passado, daí revisita-lo, movido por uma saudade às vezes madura, às vezes mal resolvida e cheia de feridas abertas, torna-se uma experiência dolorosa.
Na apresentação do livro o autor vai ainda mais longe, deixando claro o roteiro de sua obra, porém, sem compromete-la com as surpresas que ela guarda.
Um dos poemas que gostaria de destacar é A Baleia, o guarda roupa e Eu (não pude evitar a lembrança do romance de C.S. Lews A feiticeira, o leão e o guarda roupa), não vou especular essa correspondência, mas nesse poema o imaginário infantil predomina; e o imaginário infantil é, por natureza, surreal; ou seja os limites da nossa realidade e de outros mundos são sutis, diáfanos. É um poema sintético e profundo no que se propôs.
O poema As Chamas Desenharam Seu Rosto Frio, é o retrato de uma tragédia, de uma casa que pegou fogo, e o drama do narrador, pela perda não da casa e dos móveis, mas da pessoa amada, vítima da tragédia. O trauma da perda é incomensurável, pois até as memórias foram consumidas pelas cinzas.
Outro poema que destaco é Corpos Lavados no Varal, cuja epígrafe é um texto do livro do Êxodo, capítulo 12, versículo 13, sobre a ordem de D’us de marcar os batentes das portas das casas com sangue do cordeiro, para que o anjo da morte não ferisse os primogênitos. O sangue aqui também remete ao sacrifício de Jesus Cristo, o cordeiro divino. No poema, Jeferson faz uma analogia poderosa com o sangue derramado pela mulher, pela menstruação, que elas mancham com eles seus batentes uma vez ao mês – O narrador tem consciência de que não há salvação sem sacrifícios. E fica a pergunta “Quem serão os cordeiros sacrificados? Há também uma crítica ao sistema religioso, não tão clara e contundente como no poema Pequeno Garoto Devoto ao Tronco.
Submeter-se para sobreviver é outro poema que merece destaque pela maneira em que é conduzida a crítica social, coisa extremamente difícil aos poetas contemporâneos sem cair no mero panfletarismo. E também o poema Quadro Branco, que traz o tema do esquecimento, recorrente em todo o livro, quando o tempo apaga até as memórias mais íntimas, como não recordar mais um rosto. É angustiante pensar no passado como um quadro branco, onde não encontramos nada.
Há, porém, 3 poemas que parecem destoar da temática, são eles: A espada não escolhe a quem devorar, na sequência temos o poema Vire à esquerda e Pequeno garoto devoto ao tronco, depois o autor traz de volta a temática moveleira da casa e suas ausências assombradas por fantasmas. Não sei se essa virada à esquerda foi intencional ou acidental, prefiro interpretar aqui como o narrador, sufocado pelo ambiente da casa vazia e cheia de lembranças, resolve tomar um ar, abrindo a janela e olhando para o mundo lá fora.
O livro começa com Drummond, através do título, verso tirado do poema Noturno oprimido, e finaliza com Drummond com o poema Liquidação, um poema resposta. Lembrando que Liquidação é também o título de um poema do poeta mineiro.
A resposta, nesse poema de encerramento, Liquidação, coloca o poeta como a casa de seus poemas, cada poema é uma mobília, uma peça da casa, no entanto é uma casa assombrada por suas memórias, ambientadas por fantasmas que o poeta teima em chamar de “eu lírico”.
A influência de Carlos Drummond é seminal na obra de Jeferson Barbosa, daí o nome da Editora, já que Mondru é um trocadilho, ou corruptela se preferir, de Drumon. Mas é preciso estar atento à voz do próprio autor que, parece-me, nascer das cinzas, e como se pedisse licença ao poeta mineiro para erguer sua própria voz, como quem está alçando o seu voo solitário no céu da poesia, sobre o abismo da vida.



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